segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pessach, Πάσχα, Pesa, Ishtar

Páscoa, um momento de passagem, seja qual for o credo.
Um momento de passagem do Inverno para a Primavera, da morte para a vida. Um renascer, ressuscitar. O regresso à vida.
Mas antes da ‘passagem’ para o ‘ganho’, inevitavelmente está a 'perda'. Está o Inverno da vida.
Apesar da promessa deste ‘inverno’, desta perda, ser só um momento, de todo este dano estar seguido de um ‘renascimento’, há perdas das quais dificilmente se recupera mesmo sabendo que chegam seguidas de ‘uma promessa de primavera’.
A perda da crença nos outros, a perda de um ente querido, a perda de acreditar que estes momentos de ‘inverno’ são só uma passagem.
Hoje, mais do que em qualquer outro dia, tudo isto se me apresenta de forma muito pesada. A perda apresenta-se a tantos níveis e desenhada com contornos tão retorcidos, que apesar de tentar continuar a acreditar que é apenas um momento, só o vejo como ‘um tudo’. É toda uma vida.
Com uma vida ‘de passagem, a oportunidade de chegarmos à tal ‘primavera’ prometida é nos gorada logo à partida.
A páscoa, a fénix, tudo faz querer que são promessas de um lado da vida que nunca nos chega, de uma outra vida que não é a nossa.
Hoje dedico-me a uma pessoa das poucas em quem ainda valia a pena acreditar, de um coração sem fronteiras, sem preconceitos, sem limites ou conveniências.
Alguém para quem os outros foram sempre tudo e sempre seus.

Para se chegar a isto, para sermos assim, teremos mesmo que morrer e nascer de novo e, ainda assim, a probabilidade de nos cruzarmos com um outro com estas características é de tal forma improvável que acreditar numa ‘primavera’ depois tudo isto, é um trabalho impossível.

Hoje não há nem cheio nem a meio gás, há o vazio.

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